domingo, 12 de agosto de 2012

Ponto fraco.

Em tese, o dia dos pais já passou. Mas eu precisava escrever algo antes de deitar. Não conseguiria pregar os olhos sem me libertar dessa angústia. 

Hoje algo me atacou em cheio. Abalou totalmente minhas estruturas, e eu me vi numa situação lastimável. Me vi chorando como um bebê que acaba de nascer, como uma criança mimada que não ganha o presente desejado no natal. E olhando por esse lado, eu me julgo a partir de hoje uma pessoa absurdamente mimada.

Não cabe a mim dizer o motivo, eu seria insensível demais e hipócrita demais se contasse aqui uma história que não é minha. Mas por outro lado, posso expor o que eu senti.
Hoje eu vi que meu ponto mais fraco é o meu pai. Acima de tudo e de todos. Acima de qualquer coisa nesse mundo. Meu pai é a minha vida. Minha base, meu alicerce, meu porto seguro, minha inspiração, meu motivo pra viver. Sem controvérsias, sem exageros. A gente briga, discute, se enfrenta. E cinco minutos depois estamos rindo um da cara do outro. Ele me nega muitos pedidos, me proíbe de ir em certos lugares e me priva de muitas coisas. Mas mesmo assim, meus privilégios em comparação ao meu irmão, são visíveis.

Quem me conhece, sabe que meu relacionamento com minha mãe não é dos melhores. Nossa relação não é de mãe e filha. Nunca foi desde que ela descobriu que eu era mocinha (leia-se lésbica) e que eu já sabia disso. Por esses e tantos outros motivos, eu e minha mãe somos quase que "estranhas" na maior parte do tempo dentro de casa.
Mas meu pai sempre foi a pessoa que me apoiou em tudo. Do jeito dele. Fechado, grosso, ignorante e com uma baita resistência. Mas ele só esperava eu esquecer o que havia pedido, pra ir lá e ceder aos meus caprichos.
Sim, sou mimada. Mas sei dar valor ao que tenho.
Posso não ser a menininha do papai que vai ter um namoradinho, que vai virar um maridinho. Mas continuo sendo a princesa que sabe lidar com o ogro da casa. É mais ou menos isso.

Então, enquanto meu pai trabalhava hoje, pra fornecer todo o conforto que me é concedido, todas as frescuras que gosto de comer, todas as cervejas que gosto de beber, todos os livros que gosto de ler, todos os perfumes que gosto de ter, todas as maquiagens que gosto de usar, todos os banhos quentes que gosto de tomar e principalmente, todo meu caráter que gosto de ter, manter e exercer; enquanto ele trabalhava pra tornar tudo isso possível, eu me vi numa situação maluca de extrema necessidade de ter ele comigo.
Então sim, eu desabei, chorei, solucei, e lembrei que a muito tempo eu não falava/falo diretamente pra ele o quanto eu o amo.

Não estou escrevendo isso simplesmente por ter sido o dia dos pais.
Não é hipocrisia. Não é impulso. Não é nada disso.
Hoje eu sofri de verdade, e não quero ficar com isso me aturdindo.
A verdade é que meu pai é o melhor pai do mundo.
Não é demagogia, é só que eu não poderia ter outro, não poderia sonhar com outro.
E se alguém me perguntar quem é a pessoa mais importante na minha vida, eu respondo sem precisar pensar meio segundo: Meu Pai!

- Hoje eu só quero que o dia termine bem...
           

sábado, 11 de agosto de 2012

Percepções.

Vou tentar escrever todos os dias agora. Percebi que descubro coisas sobre mim apenas quando escrevo. E também percebi que são coisas importantes, aspectos que devem ser levados a sério. Gosto de escrever, mas parei de fazer um roteiro, ou pensar em um tema. Vai fluindo e vou colocando pra fora. E sabe o que é melhor? Tá funcionando bem.
Notei também que estou menos adepta a vírgulas, e isso não é bom. Pontos finais demais podem ser assustadores, se analisados do ângulo certo. Mas não vou me forçar a mudar isso. Sei que faz parte da minha essência neste ponto da minha vida.
Nunca gostei dessa história de várias faces, mas comecei a ver tudo com outros olhos e analisar todos os fatos. Posso ser um amor com alguém, mas também posso ser o cúmulo da ignorância com outro alguém. Tudo depende de como me sinto em relação a situação.
Percebi que não sou tão "controlada" quanto pensei que fosse. Eu tenho um limite de autocontrole, e tenho ultrapassado ele frequentemente. Sei lá se isso é bom. Parei de me preocupar com certas consequências.
Falando em consequências, acho que tenho um longo caminho pela frente que terá que ser enfrentado pela segunda vez. E não faço a mínima ideia de como fazer isso.
O fato é que comecei a faculdade, e estou na fase de conhecer pessoas novas, e essas mesmas pessoas querem me conhecer. Tudo bem, tirando o fato de que não sei como reagirão em relação a minha sexualidade. Sexualidade essa, da qual eu nunca tive dúvidas e muito menos vergonha.
Já passei por essa fase a uns anos atrás, e agora terei que passar por tudo de novo. A diferença é que as pessoas de agora se julgam "adultas de opinião formada". Tudo balela.
Enfim, mais um motivo pra continuar praticando meu autocontrole e aprender a respeitar meus próprios limites.
Me desejem sorte.

- Hoje eu só quero que o dia termine bem...
   

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Tudo se esvai.

Todas as noites eu digo pra mim mesma que farei um post novo. Mas as horas vão passando, e quando noto, já são 6 da manhã e eu preciso dormir. Hoje é sexta a noite, e eu não tenho nada em mente. Não custa nada fazer uma seleção de músicas antigas e colocar no player pra começar a escrever. 

Hoje passaram uma ficha na faculdade onde dentre as poucas questões, havia uma que perguntava o que eu sabia fazer. Até cogitei escrever que faço textos e algumas poesias. Mas depois pensei bem e decidi que era melhor não. Se fosse a um tempo atrás, eu poderia dizer isso, mas hoje em dia, são raras as vezes que paro e deixo as palavras saírem. Minto... Eu até as deixo saírem, mas não sei lidar com elas mais. Assumo.
Posso escrever dezenas de vezes e fazer alterações mais algumas centenas, que nunca fico satisfeita. Fico procurando aquelas palavras de alguns anos atrás, aquela facilidade de encaixá-las nos lugares perfeitos. Um casamento entre minhas idéias e minha criatividade. Agora me pergunto aonde foram parar essas duas coisas. Se perderam em qual momento da minha vida? Não percebi acontecendo e me lamento agora. Não quero parecer egocêntrica, mas a verdade é que eu gostava das coisas que era capaz de escrever e expressar.
Voltando um pouco nas minhas memórias, eu percebo quanta coisa se perdeu. Talento, força de vontade, sorte, crenças e coragem. Todas essas características faziam parte do que eu era. Eu sabia que as tinha, mas não acreditava que iriam se esvair com o passar dos anos. Tolice. Tudo se vai com o tempo. Pouquíssimas coisas permanecem, e mesmo quando acontece, há mutações.Sempre há.
Algumas coisas mudam pra melhor, eu sei disso. Mas nós, humanos, tendemos a não perceber quando isso acontece, ou percebemos e não valorizamos. Aí tudo fode outra vez.
Se você sentir algo diferente, arrisque, insista. Não importa do que se trata. Nunca se sabe quando seu futuro está prestes a ser iniciado.

- Hoje eu só quero que o dia termine bem...