sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Sentimentos.

Algumas coisas não tem forma, não tem sabor, não tem cheiro. E mesmo parecendo tão insignificante e apresentando um nível de periculosidade tão nulo, essas coisas podem te acertar em cheio, descer rasgando sua garganta e te fazer chorar por horas a fio. São o que costumam chamar de sentimentos. Te tiram o sono, a fome, o humor. Não são palpáveis, mas podem ser feridos. Não são visíveis, mas são notados com facilidade. E não adianta fingir, muito menos fugir. É inevitável. A dor da saudade, o sabor amargo de uma decepção... Não há remédio que cure, não há bebida que misture. Você cai, desaba e nem mesmo se move. Talvez um abraço apertado te faça sentir segurança por um momento, mas que abraço vai te apertar por dentro? Que beijo vai tocar sua mente? Quais palavras vão acalentar seu coração? Sentimento, sofrimento, desalento... Deixe de ser desatento. Reposicione pensamentos e prioridades. Não queira sentir a dor da perda, opte pela dor da saudade.
E não se esqueça: Deguste o doce sabor do amor, seja ele como for.

- Hoje eu só quero que o dia termine bem...

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Tempo? Não tenho.

Temos muito ou pouco tempo? Há quem seja capaz de dizer que temos muito pouco tempo. Mas para quê? O tempo sempre foi algo relativo... Cada um tem o seu tempo e faz dele o que bem quer. Não entendo pessoas que justificam falta de interesse com falta de tempo. E entendo menos ainda quem se conforma com esse tipo de resposta. O tempo é contabilizado em momentos, não em minutos passados. O tempo de permanência na terra não é o mesmo tempo de vida... Viver em função do tempo é morrer a cada segundo que aquele seu relógio apressado conta. Um tic tac incessante, irritante, sufocante.
Não culpe o tempo por seus atrasos, por suas promessas não cumpridas. Não culpe o tempo por perder a oportunidade de ser feliz. Não culpe o tempo por ser inconstante, irresponsável e indiferente. Minutos, horas, dias... O tempo só existe pra te lembrar que nada é imortal. As oportunidades passam, os amores se vão e no final só resta você.
Você e seu relógio idiota.
Tempo é pra quem sabe usar, oportunidades são pra quem sabe aproveitá-las.
Por favor, não culpe o tempo ou a falta dele. Culpe sua incapacidade de assumir a falta de interesse.

O tempo pode até ser o melhor remédio, mas como veneno, ele é muito mais forte.

- Hoje eu só quero que o dia termine bem...
 

sábado, 3 de agosto de 2013

Borboletas...

Acordou mas não se levantou. Manteve os olhos fechados por um longo espaço de tempo, na esperança de que os sonhos voltassem a passear pela sua mente. Não voltaram, ela então começou a vasculhar suas lembranças, em busca de um motivo para voltar a acreditar. Os encontrou, mas também encontrou vários motivos para não mais se importar.
Tinha aquela aparência de garota forte, quando na verdade tinha um coração frágil, que já havia sido machucado diversas vezes... O que acabou deixando o medo tomá-la por completo quando o assunto era confiar na palavra das pessoas. Não era rancorosa. Sofria, chorava, questionava e prometia não mais voltar atrás... Mas seu coração era grande demais, ela não conseguia negar aquele sentimento à ele. Por mais que ela soubesse que sofreria depois, ela gostava de sentir aquelas malditas borboletas no estômago, aquele frio subindo pelo seu corpo inteiro. Teimosa!
Acordou assustada, passeou tanto em suas lembranças que adormeceu. Não voltou pro sonho como queria, e por um lado foi até bom. Ela surta com uma facilidade impressionante, e no ritmo que ia, não estava longe de acontecer. Correu pro banho, ligou o chuveiro quente, deixou que a água percorresse todo seu corpo e formasse um escudo protetor do vento frio que entrava pela janela... Fechou os olhos e ficou ali, encolhida e cantando baixinho, tão baixinho que só ela e o coração sabiam qual música era. Demorou mais do que costuma no banho. Queria se arrumar para lidar com seus pensamentos. Roupa, perfume, lápis, blush e máscara para os cílios. Estava finalmente pronta. Sentou no sofá, ligou a TV e desligou o celular. Passou o dia todo daquela forma, envolvida em pensamentos e dúvidas, esperando que o ócio lhe trouxesse alguma solução... 
O dia chegou ao fim, ela novamente adormeceu e dessa vez foi embalada por sonhos que a fizeram sentir as borboletas brincando em seu estômago. Ela sabia que era um sonho, sabia que no futuro poderia sofrer, mas pelo sorriso que exibia não parecia se importar com as consequências. 
Fez das borboletas suas melhores amigas e brincava com elas constantemente. 
Dormindo ou acordada...

- Hoje eu só quero que o dia termine bem...
           

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Agosto... A gosto de quem?

Mês de agosto mal começou e as pessoas já estão fazendo dezenas de pedidos. Alguns pedem dinheiro, outros pedem fé, e alguns pedem até amor, como se essas coisas viessem embrulhadas com um laço de fita vermelho em cima. O problema é que poucas dessas pessoas se levantam e vão em busca daquilo que almejam. Querem que as coisas simplesmente aconteçam. O vento pode até mudar a direção, mas se você continuar indo em linha reta, seu destino será sempre o mesmo. Não importa quantos carros você tem, quantos pares de sapato de marca ficam entupindo seu armário. A estrada que você precisa percorrer não passa carro, não se pisa com sapato de marca. É preciso determinação e coragem pra seguir pela trilha estreita, se desviar dos galhos de preocupação, dos buracos de mentiras e das pedras de chateação. E essa trilha é estreita por um motivo: Você a percorre sozinho.
Não adianta se descabelar, ficar surtando pelos cantos, fazer alvoroço. Algumas pessoas simplesmente não se importam. Algumas nem mesmo notam. É como se você fosse invisível. E sinceramente, a sensação de ser invisível pro mundo é angustiante. Não grite só por dentro, um barulho no mundo externo às vezes é bom.
Portanto, não peça nada. Faça com que tudo aconteça.

- Hoje eu só quero que o dia termine bem...
    

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Vulnerabilidade.

Ela se viu correndo um risco antigo. Um risco do qual ela sabe que só corre se quiser. Não preciso nem dizer que ela preferiu "ver o que acontece se ela fizesse isso", certo? Ela foi, no princípio com cautela, bem devagar. Apalpando o fundo do caminho, sentindo se era firme o suficiente pra aguentar tanto peso - peso esse, do imenso coração. Foi seguindo, até que chegou ao ponto crucial da decisão: Se entregar ou recuar? Ela é teimosa e não gosta de dar passos na direção contrária. Tem o pensamento de que se a palavra "recuar" fosse uma coisa boa, não teria a sílaba do meio. É.
Então ela foi, e como num piscar de olhos, se viu com sorrisinhos bobos, olhos brilhando e aquelas borboletas chatas no estômago. Mas ela estava feliz com aquela sensação, andava pelas ruas com seu fone de ouvido que formava um tipo de escudo. Não via, não ouvia e no fundo, também não se importava com nada e ninguém. Só com aquelas malditas borboletas. Seus olhos mudam de cor de acordo com seu estado emocional, isso sim é lindo nela. É fácil reconhecer quando ela está apaixonada. Olhos brilhantes, mais claros, refletindo o quão radiante ela está por dentro. Só que tem um detalhe, ela não gosta dessa palavra "apaixonada". Se sente vulnerável demais, então vive também de óculos escuros pra esconder o brilho dos olhos. Mas ela não percebe que fica altamente mais sociável, sorridente e até mais bonita. Acorda cedo, sente o vento gélido que entra pela janela do quarto, se encolhe numa tentativa frustrada de parar no tempo e poder dormir mais um pouco. Tem uma vaga lembrança do que sonhou e sorri sozinha, olhando pro teto do quarto. Fica ali, na mesma posição por algum tempo, até que olha pro relógio e vê que já está atrasada. Ela se perde em pensamentos, em lembranças, se perde no tempo. Não nasceu pra cumprir horários, e não nasceu com o direito de escolher nada, portanto faz o que deve ser feito. Reclamando, mas faz...
Toma um banho pra acordar - mesmo sabendo que não funciona com ela -, se arruma com uma velocidade bem inferior a que ela deveria estar, e vai... Segue o dia sem roteiros, ela sempre os detestou.
Permanece apaixonada, vulnerável, provavelmente enrascada e consequentemente feliz.

- Hoje eu só quero que o dia termine bem...