quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Vulnerabilidade.

Ela se viu correndo um risco antigo. Um risco do qual ela sabe que só corre se quiser. Não preciso nem dizer que ela preferiu "ver o que acontece se ela fizesse isso", certo? Ela foi, no princípio com cautela, bem devagar. Apalpando o fundo do caminho, sentindo se era firme o suficiente pra aguentar tanto peso - peso esse, do imenso coração. Foi seguindo, até que chegou ao ponto crucial da decisão: Se entregar ou recuar? Ela é teimosa e não gosta de dar passos na direção contrária. Tem o pensamento de que se a palavra "recuar" fosse uma coisa boa, não teria a sílaba do meio. É.
Então ela foi, e como num piscar de olhos, se viu com sorrisinhos bobos, olhos brilhando e aquelas borboletas chatas no estômago. Mas ela estava feliz com aquela sensação, andava pelas ruas com seu fone de ouvido que formava um tipo de escudo. Não via, não ouvia e no fundo, também não se importava com nada e ninguém. Só com aquelas malditas borboletas. Seus olhos mudam de cor de acordo com seu estado emocional, isso sim é lindo nela. É fácil reconhecer quando ela está apaixonada. Olhos brilhantes, mais claros, refletindo o quão radiante ela está por dentro. Só que tem um detalhe, ela não gosta dessa palavra "apaixonada". Se sente vulnerável demais, então vive também de óculos escuros pra esconder o brilho dos olhos. Mas ela não percebe que fica altamente mais sociável, sorridente e até mais bonita. Acorda cedo, sente o vento gélido que entra pela janela do quarto, se encolhe numa tentativa frustrada de parar no tempo e poder dormir mais um pouco. Tem uma vaga lembrança do que sonhou e sorri sozinha, olhando pro teto do quarto. Fica ali, na mesma posição por algum tempo, até que olha pro relógio e vê que já está atrasada. Ela se perde em pensamentos, em lembranças, se perde no tempo. Não nasceu pra cumprir horários, e não nasceu com o direito de escolher nada, portanto faz o que deve ser feito. Reclamando, mas faz...
Toma um banho pra acordar - mesmo sabendo que não funciona com ela -, se arruma com uma velocidade bem inferior a que ela deveria estar, e vai... Segue o dia sem roteiros, ela sempre os detestou.
Permanece apaixonada, vulnerável, provavelmente enrascada e consequentemente feliz.

- Hoje eu só quero que o dia termine bem...
       

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